Passo o dia arquitetando planos de tarefas para preencher o balanço das horas. No trabalho, tento cumprir uma agenda minuciosamente preparada. Nas horas livres tento distrair os pensamentos um tanto nostálgicos. Mas, hoje... hoje as coisas parecem um tanto mais complicadas. Ainda faltam muitas horas para o fim do dia e as tarefas parecem pequenas. Poucas coisas ocupam o tempo. Poucas coisas (ou nenhuma delas) distrai a soma das horas e aquela querência insistente. Leio um novo livro de contos no quintal, junto com os passarinhos e tento acreditar que eles são uma ótima companhia. Tento compassar o ritmo. Penso em tatuar nas costas uma flor dente-de-leão se espalhando com o vento, pra que fique leve, mas é uma ideia provisória. Tenho que desligar a ‘Bossa Velha’ de mim. Essa é a urgência. É que nesse interior, poucas coisas parecem ainda vivas. Antes de chover, já floresceu e os espinhos continuam aos montes. É preciso esperteza pra viver aqui. Às vezes dá dor de cabeça!
Vou ligar pro 24 horas da farmácia e pedir uma pinga. Com limão!...
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