Poesia Perdida

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Há dias em que perco a poesia. E esses dias são carregados de lembranças em sombras. Pudesse esquecer esses fantasmas e bossas velhas quando eu bem entendesse. Fica escuro e difícil de enxergar a prosa desfeita em proeza. Sufoco, submergindo o gerúndio dos pensamentos lutando pra que tudo fique calmo. Perco a finalização dos prefixos.
Onde anda a sanidade? Seguindo uma escala decrescente dela, penso que a gramática me fez página virada das coesões da vida. Coerências lógicas não encontro e nem sei mais se, de fato, existem. Às vezes fica difícil enxergar, é tão turvo. Busco limites de insanidade confortantes, se encontro, permaneço. Penso em saídas e bons esconderijos para guardar as más lembranças até que encham de poeira e não sirvam mais pra nada, muito menos para sentir doer. É como, por um instante, perder a prática de conjugar o verbo viver. Tal qual poema inacabado.
Ando meio sem destinatário... sanidade é algo que perdi de vista. Voou do varal numa noite qualquer. Aquele mesmo varal onde pendurei minhas peças de lucidez. Nem vi. Venta muito por aqui!...
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